Sou do tempo do protocolo "DPL/DPC", que os amigos dinossauros da Informática vão reconhecer no acrônimo o processo de "Disquete-pra-lá/Disquete-pra-cá". Na instituição que trabalho tive a felicidade de ver a Informática florescer, e me orgulho em reconhecer que fui um dos semeadores. Porém, em um período, haviam computadores pessoais mas não havia rede e a utilização da Internet, ainda sem o protocolo HTTP, era cara e restrita. Assim, levar trabalho para casa, ou mesmo para sala ao lado, era um processo todo baseado no "protocolo DPL/DPC".

Vinte anos depois, continuo às voltas com uma solução decente. Não que eu seja um sujeito difícil, mas as opções tecnológicas são bem maiores e escolher qual a melhor é, talvez, a melhor parte. Tal qual na pescaria, onde o processo é mais importante que o peixe em si.
O segredo do processo é possuir sempre, tanto em casa quanto no trabalho, os mesmos arquivos. *EXATAMENTE* os mesmos arquivos. Palavra-chave: consistência. Obviamente, quanto menos trabalho melhor. Estamos tratando de uma ciência onde a "automática" faz parte do nome. Porém, considerando minha relativa ignorância, considero que as coisas não são tão simples assim.
A primeira opção é o valoroso e indefectível "Pen Drive". Muito mais "cool" que um CD ou DVD regravável, é o preferido de 9 entre 10 profissionais. Nada de errado com ele, se você considerar que ele pode ser perdido (a tampa pe perdida por 10 entre 10 possuidores!), e se tornar um vetor de vírus (7 entre 10). Contudo, o fato é que este novo protocolo "PDPL/PDPC" em nada difere do famoso protocolo dos anos 80, onde uma variação no processo A -> B -> C esculhamba com tudo. Por exemplo, quando um arquivo é atualizado em casa, outro no trabalho (A <-> B <-> C). Neste caso, um bom software de sincronia pode resolver o problema, como o SyncBack Pro, que estava utilizando até a pouco.
A vantagem do SyncBack Pro é que você pode dizer pra ele que você não tem um Pen Drive, mas, como no meu caso, um servidor FTP com espaço "infinito", e o processo fica razoavelmente simples. Quando sair do trabalho, clique para sincronizar com o servidor. Quando chegar em casa, clique para sincronizar com o servidor. E assim vamos levando a vida.
Tudo perfeito, até que o número de arquivos no servidor se torne significativo, a ponto do processo de indexação e verificação levar uma "eternidade". Você doido pra ir para casa, e tem que esperar o danado atualizar. Passei a deixar o computador ligado, agendando o SyncBack para sincronizar lá pelas 20:00hs.
Claro que soluções mais robustas de espelhamento automático existem. Não sou tão ignorante assim. Usei por um bom tempo, há alguns anos atrás, para backup de servidores em rede o excelente PeerSync. Uma maravilha da tecnologia moderna que sincroniza em tempo real arquivos com um servidor remoto. Porém, mesmo possuindo uma versão Workstation a um preço razoável, na minha situação, me parece um "canhão para matar uma barata".
Seguindo a sugestão do camarada clehax, resolvi experimentar novamente o Dropbox e estou muito contente. A versão gratuita lhe da 2GB e espaço e, o diferencial, um aplicativo que, uma vez instalado (clique aqui para baixar e instalar), se assenta na sua barra de ferramentas e mantém tudo sincronizado, sem sua interferência. Como se fosse um PeerSync bem mais simples. Até o momento o Dropbox tem agido rápida, discreta e automaticamente, exatamente como gostaria que fosse, e as opções pagas (50GB e 100GB) tem preços bem atraentes.
Porém, no meu caso, que tenho um servidor próprio, quando atingir minha cota de 2GB devo adquirir o PeerSync Workstation e passar a utilizá-lo exatamente como o Dropbox, só que armazenando os arquivos no meu próprio servidor, com a desvantagem de não ter a atrativa e eficiente interface Web, e os mecanismos de compartilhamento de pastas.
De qualquer forma, a solução que gostaria de ver, e que comentei nos meus pedidos para 2010, é de abrir e editar diretamente os arquivos no meu servidor. O que o PeerSync, Dropbox e o SyncBak fazem é manter consistentes três cópias de um mesmo arquivo. Mas eu gostaria de ter apenas um, em um único lugar, e usá-lo normalmente, de onde estiver. Espero viver para ver isso acontecer.
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